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A Evolução das Formigas

  • Foto do escritor: Mateus Cury
    Mateus Cury
  • 22 de abr. de 2020
  • 5 min de leitura

Atualizado: 26 de abr. de 2020

O que são as Formigas?

As formigas são insetos pertencentes à família Formicidae da ordem Hymenoptera, altamente organizados, estando entre os animais que atingiram um grau de organização biológica chamado de eusocialidade (Insetos eusociais são aqueles que têm uma divisão de trabalho em suas colônias, com um sistema de castas, na sociedade das formiga so correm três castas: rainhas, machos e operárias).

Podem ser encontradas por todas as regiões do planeta, exceto nos polos. São consideradas como o grupo de animais de maior sucesso ecológico, considerando-se que representam de 15% a 20% de toda a biomassa animal vivente, possuem um comprimento médio de 1 cm, sentem o cheiro das coisas através de suas antenas e comunicam-se entre si através de liberação de feromonas.


Formigas Pré - Históricas

As formigas são consideravelmente mais velhas do que se acreditava anteriormente, tendo surgido entre 140 e 60 milhões de anos atrás, esses insetos, hoje encontrados em ecossistemas terrestres por todo o mundo, aparentemente começaram a se diversificar há cerca de cem milhões de anos, acompanhando as plantas que têm flores.

Alguns pesquisadores reconstruíram a árvore genealógica das formigas usando a seqüência de DNA de seis genes de 139 gêneros representativos de formigas, envolvendo 19 das 20 subfamílias de formigas ao redor do mundo.

"Nossos resultados suportam a hipótese de que as formigas eram capazes de tirar proveito das oportunidades ecológicas fornecidas pelas plantas com flores e pelos insetos herbívoros que co-evoluíram com elas", disse Pierce. Esses insetos que evoluíram ao redor das plantas com flores forneceram alimento para as formigas.

PRESA NO ÂMBAR

Foi descoberto uma nova espécie de formiga em uma peça de âmbar birmanês de 99 milhões de anos. Essa formiga de aspecto estranho tem um proeminente chifre cefálico e mandíbulas em forma de foice que se estendem sobre a cabeça.

O fóssil sugere que pelo menos algumas das formigas primitivas eram predadores especialistas solitários. As formigas, cujo êxito se atribui geralmente a seu notável comportamento social, experimentaram sua primeira diversificação no período Cretácio.

Pesquisas recentes mostram que as linhagens da derivação primitiva de formigas formaram pequenas colônias de predadores especialistas solitários subterrâneos ou epigeicos.

A ampla maioria das formigas cretáceas pertence ao grupo dos formícidos e incluem operárias e reprodutoras de morfologias muito generalizadas. Embora seja difícil extrair uma conclusão clara sobre sua ecologia, as últimas descobertas do Cretácico sugerem níveis sociais relativamente avançados.

Exceções destacáveis deste modelo são formigas com as partes bocais estranhas nas quais as duas castas de fêmeas desenvolveram cabeças modificadas e mandíbulas com forma de pá, que movem unicamente sobre o plano horizontal.

Os pesquisadores explicaram que as estruturas da formiga recém-achada provavelmente funcionavam como uma armadilha muito especializada para caçar presas grandes. O chifre é o resultado de uma modificação extrema do clípeo não vista até agora nem entre as formigas atuais nem entre as extintas, o que demonstra a presença de uma morfogênese exagerada das mandíbulas de armadilha nas formigas primitivas.



A Formiga do Inferno

Batizada de Linguamyrmex vladi, esta espécie usava as suas mandíbulas, parecidas com uma tesoura, para capturar e picar as presas e tinha à volta delas ‘cabelos’, tal como as formigas atuais têm agora, que ajudam as garras a fechar-se a uma grande velocidade.

Esta formiga tinha ainda uma espécie de ‘corno’ em cima das mandíbulas para prender as suas vítimas e evitar que se magoasse ao fechar a boca.

Os pesquisadoress dizem que a L.vladi tinha ainda um canal entre as mandíbulas, e acham que serviria para sugar a comida em vez de a mastigar.

O exemplar foi encontrado ao lado de uma grande larva de besouro, que terá sido uma presa perfeita de corpo macio para um predador de sucção de líquido como esta formiga.



Uma análise de raios-X mostrou que o ‘corno’ em cima da sua cabeça estava reforçado com partículas de metal.

“Os insetos são conhecidos por recolher metais (em particular, cálcio, manganês, zinco e ferro)

E ter um espigão com infusão de metal teria permitido à “formiga do inferno” resistir à torção das presas se perdessem um golpe com os seus maxilares ou talvez tornar mais fácil amarrar os seus picos em presas com corpos macios.

Fóssil vivo

''Cega , pálida e dotada de grandes mandíbulas, provavelmente para agarrar suas presas, esta formiga mede de dois a três milímetros''



Esta formiga é provavelmente a descendente dos ancestrais mais antigos destes insetos e foi a primeira a evoluir, disse Christian Rabeling, um biólogo da Universidade do Texas em Austin (sudoeste), que descobriu a espécime em 2003 na cidade Brasileira de Manaus, no coração a Amazônia.


Com base em dados de fósseis, acreditamos que o ancestral desta formiga se parece com uma espécie de vespa, talvez similar à vespa formiga primitiva Sphecomyrma, hoje extinta, encontrada em âmbar fossilizado do Cretáceo


A Sphecomyrma é considerada a escala ausente na evolução entre as vespas e as formigas.

As vespas são os ancestrais de todas as formigas atuais. A partir desse ancestral, elas foram se especializando para viver no solo, em árvores ou na serapilheira e formaram o grupomono filético das formigas.


As formigas evoluíram rapidamente para diferentes linhagens, partir do Cretáceo (entre 145,5 milhões e 65,5 milhões de anos atrás). 

Evolução Forçada?

Formigas usam traços de ancestrais para fazer ‘supersoldados’


Entre as formigas, o “supersoldado” é um tipo que tem a cabeça e o corpo maiores e bloqueia as entradas do formigueiro para proteger a colônia em situações de perigo. Em um estudo publicado ele é também um exemplo inédito para o estudo da evolução.


A pesquisa foi feita com formigas do gênero Pheidole, que tem cerca de 1,1 mil espécies. Em apenas oito delas surgem supersoldados nas condições naturais. Essas espécies vivem no sudoeste dos EUA e no norte do México.

O teste foi repetido com outras espécies e obteve o mesmo resultado e se todas as espécies conseguem produzi-lo (o supersoldado), significa que havia um ancestral em comum.

A transformação das larvas em trabalhadores ou soldados é controlada pelas formigas de forma a suprir as necessidades da colônia.


A definição de se uma larva será um trabalhador ou um soldado se deve a condições químicas, como a temperatura a que elas ficam expostas e hormônios envolvidos no processo.

O reaparecimento de uma característica que tinha ficado sem se manifestar durante várias gerações é conhecido na biologia como "atavismo".


Sociedade das Formigas

Todavia, as formigas atuais são conhecidas por apresentarem uma das sociedades mais organizadas e hierárquicas da natureza. Porém, sua relação com outros organismos é essencial para a sua sobrevivência e organização social.

Um exemplo deste tipo de relação ocorre entre as formigas e os afídeos (pulgões), que expelem uma substância líquida e adocicada. As formigas, por sua vez, efetuam o recolhimento deste líquido, transportando-o posteriormente para o formigueiro. Ao mesmo tempo, protegem os afídeos de predadores, que encontram os pulgões através do líquido que segregam.

Outro exemplo ocorre com as lagartas mirmecófilas, que são criadas pelas formigas. No período diurno, as formigas levam as lagartas para se alimentar, recolhendo-as durante a noite. A relação ocorre a partir do momento em que as mirmecófilas exalam um líquido adocicado através de uma glândula, utilizado pelas formigas a partir de um processo em que "ordenham" o lugar pelo qual sai a glândula das lagartas

A relação com as formigas também pode ser útil aos seres humanos, pois elas são capazes tornar o solo mais fértil e matar outros insetos. Porém, quando invadem campos frutíferos, jardins e casas e tornam-se uma praga


 

IMAGENS13/14

www.pnas.org.


 

 
 
 

1 Comment


Laiz Furlan Balioni
Laiz Furlan Balioni
Apr 23, 2020

Predadoras natas! O comportamento social com certeza teve grande importância em sua evolução. O texto ficou excelente, cheio de imagens e conteúdo referenciado, uma construção bem formulada e super interessante. Excelente!

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